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Ninguém fica sem um pão

Livro de Esmolas a Entrevados (1795-1804)

Ninguém fica sem um pão:

Livro de Esmolas a Entrevados (1795-1804)

 

Já imaginou como se organizava o apoio a quem mais precisava, numa época sem computadores nem redes sociais? No nosso arquivo encontrámos um tesouro que nos conta exatamente isso: o Livro de Esmolas a Entrevados, que acompanhou a vida de muitas pessoas entre 1796 e 1804.

Trata-se de um livro de registo destinado a assentar os nomes das pessoas a quem era concedida esmola fora do Hospital, servindo também para registar a despedida dos doentes. Contém o "assento das petições das ordinárias e das esmolas aos doentes de fora do Hospital".

Mais do que um simples registo administrativo, este livro é uma janela para o quotidiano de Gaia no final do século XVIII. Imagine um funcionário da Misericórdia, pena na mão, a anotar cuidadosamente: "Maria, de Barcelinhos, recebe oito dias de carne e pão.

"O que nos conta este livro?

O apoio não era apenas em dinheiro. A Misericórdia garantia o essencial: carne, galinha, pão fresco e caldos nutritivos para quem, por doença ou idade avançada, já não conseguia sair de casa nem trabalhar.

Ao folhear estas páginas, viajamos no tempo e mapeamos a nossa terra: encontramos vizinhos que viviam junto à "Fonte de Baixo" ou na "Rua de Barcelinhos", pessoas que, ao longo de quase dez anos, fizeram parte desta rede de apoio que não deixava ninguém para trás.

Todos os meses, os responsáveis pela instituição reuniam-se para conferir as contas. Era uma caridade exercida com seriedade, transparência e, acima de tudo, muita dedicação ao próximo.

Este livro é a prova de que, há mais de 200 anos, a solidariedade já era o pilar que mantinha a comunidade unida. "Ninguém fica sem um pão" não era apenas um lema — era um compromisso diário, guardado na nossa memória coletiva e que ainda hoje subsiste.

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Figura 1. Livro de Esmolas a entrevados 1796-1804. In
Disponível em: https://atom.misericordiabarcelos.pt/index.php/esmolas-a-entrevados-1796-1804

 

 

Transcrição:

Mês de maio de 1796

1 Maria Joana de S. Pedro de Vila Frescaínha com três dias de ração de carne e pão

2 Maria Josefa mulher de Luis José com 4 rações de carne e pão

3 Quitéria Canpalita (sic) dois dias de ração de galinha e pão

4 Ângela moradora na fonte de Baixo 3 dias de ração carne e pão

5 (?) Rosa 3 dias de ração carne e pão

6 Manuel dos Reis da Fonte de Baixo 3 rações de galinha e pão

7 Bento José da Fonte de Baixo 3 rações de carne e pão

8 José Lourenço de Barcelinhos uma ração de galinha (…)

 

Venha descobrir este e outros episódios da nossa história. O passado tem muito para nos ensinar sobre o valor de cuidar de quem vive ao nosso lado!

 

 

[Texto: Alexandra Vidal]

SCM Barcelos, 21 JULHO 2026