O Livro do movimento de doentes do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos O Livro de Movimento do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, que abrange os anos de 1715 a 1767, é muito mais do que um repositório de registos administrativos. É o diário silencioso da assistência hospitalar setecentista, um testemunho onde as tintas desbotadas pelo tempo ainda sussurram as dores e esperanças daqueles que batiam à porta da Santa Casa. Ao folhear os seus assentos, descobrimos um centro nevrálgico de proteção, onde as vidas de "pobres", "peregrinos", "soldados" e “abandonados” se entrelaçavam num destino comum de busca por amparo. Contudo, entre as linhas da burocracia, encontram-se breves e lancinantes notas sobre a fragilidade humana e o abandono. Por vezes, a rede de caridade da Misericórdia deparava-se com o peso do trágico: casos onde o socorro chegava tarde demais para salvar o corpo, restando à instituição a derradeira e piedosa missão de salvar a alma inocente e conceder-lhe a dignidade do descanso cristão. É o que nos revela o triste assento de novembro de 1762: Aos 2 dias do mês de novembro do ano de 762 mandou representar o doutor juiz de fora desta vila ao provedor desta Santa Casa que se achou uma menina por nome Maria de idade de seis meses filha que se diz ser de Andreza solteira da freguesia de Joane, termo desta vila, a qual criança se achava morta na dita freguesia e viera com uma presa para se fazer corpo de delito e como era pobre a devia o provedor da Santa Casa enterrar para mandar-lhe dar sepultura o que ele assim ordenou e eu como capelão-mor assim a mandei a sepultar em uma das igrejas destra Santa Casa e para constar fiz este assento era ut supra. — Padre Adão Rodrigues do Vale. A gestão destas admissões, conduzida sob a autoridade do provedor, revela como a Misericórdia de Barcelos erguia um muro de caridade face à precariedade do século XVIII. Mais do que registos, estas páginas devolvem a visibilidade a vidas invisíveis e consolidam a instituição como o derradeiro pilar de humanidade na então vila de Barcelos.Frases curtas e definitivas, como "por ser pobre foi admitida", ou os registos de óbito — como o da pequena Maria, cujo curto percurso de vida se perdeu no abandono — lembram-nos que, por trás de cada traço de tinta, pulsava uma existência. Nesses momentos de extrema vulnerabilidade, quando o mundo falhava à criança, a Santa Casa abria os seus braços, garantindo que a sua curta passagem por esta vida terminasse com a dignidade que a sua inocência merecia. Figura 1. Arquivo Leonor. Livro do Movimento dos doentes do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, fl. 76. Disponível em: https://atom.misericordiabarcelos.pt/index.php/livro-de-movimento-de-doentes-do-hospital-1715-1767 Aos 2 dias do mês de novembro do ano de 762 mandou representar o doutor juiz de fora desta vila ao provedor desta Santa Casa que se achou uma menina por nome Maria de idade de seis meses filha que se diz ser de Andreza solteira da freguesia de Joane, termo desta vila, a qual criança se achava morta na dita freguesia e viera com uma presa para se fazer corpo de delito e como era pobre a devia o provedor da Santa Casa enterrar para mandar-lhe dar sepultura o que ele assim ordenou e eu como capelão-mor assim a mandei a sepultar em uma das igrejas destra Santa Casa e para constar fiz este assento era ut supra. O padre Adão Rodrigues do Vale A gestão rigorosa destas admissões, muitas vezes formalizada sob a autoridade do provedor, como, Manuel de Faria de Eça. Fl. 1716-1728, ou de figuras operacionais, revela como a Misericórdia de Barcelos estruturava a caridade num cenário de precariedade. Mais do que a simples burocracia do acolhimento, estas páginas conferem visibilidade às populações itinerantes e aos residentes locais que ali buscavam o seu único refúgio, consolidando a instituição como o pilar central da assistência da então vila de Barcelos. Esta rubrica tem uma carga humana e emocional que a diferencia de todas as outras. Ao trazermos à luz a história desta pequenina, não estamos apenas a transcrever um assento administrativo do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, estamos a devolver a dignidade a uma existência que, de outra forma, teria sido engolida pelo esquecimento. A dureza do registo — a forma como a burocracia do "corpo de delito" e a pobreza da criança se cruzam com a caridade da Santa Casa — torna este momento da nossa rubrica Curiosidades da Misericórdia profundamente comovente. A instituição, neste caso, não foi apenas um hospital; foi o último porto de abrigo de uma alma inocente que a vida, precocemente, desamparou. É, sem dúvida, um dos registos mais tocantes que encontrámos, pois humaniza, de forma irremediável, a "estatística" da caridade hospitalar setecentista e um toque de humanidade que o tempo preservou. Em Memória de Todas das Marias! [Texto: Alexandra Vidal]
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No mês da Criança, celebramos e valorizamos a autenticidade, a energia, a alegria e a curiosidade dos mais pequenos. Por ser também mês dos Santos Populares, em junho, a tradição invadiu a SCMB, com martelinhos, manjericos, marchas populares e bailarico. Ainda no decorrer do mês, uma comitiva de designers e agentes culturais nacionais e internacionais visitou o Arquivo Leonor e o Núcleo Museológico da Misericórdia de Barcelos. Terminado junho, recordamos outros momentos que marcaram o mês e as atividades realizadas em diferentes unidades operacionais da nossa instituição. Comemoração dos 100 anos de vida de Alexandrina Lopes Sampaio, utente do Lar de Santo André (LSA), desde julho de 2018. Na celebração deste dia festivo, estiveram os seus familiares, colaboradores da SCMB, bem como o provedor da instituição, Nuno Reis, que a felicitou pela longevidade e transmitiu votos de dias muito felizes! Participação de utentes do LSA numa atividade intergeracional com alunos do 3.º ano da Escola Básica de Vila Boa [ALBUM:1504] Ação de sensibilização para os cuidados a ter com o sol, levada a cabo por Filipe Lopes, da Farmácia Lamela, na sala 4 da Creche “As Formiguinhas”, com oferta de um kit a todos os meninos da sala [ALBUM:1505] Sinalização do Dia Mundial Prevenção de Quedas, na UCCI de Santo António [ALBUM:1509] Piquenique realizado pelos utentes do LNSM e CD, no Parque Joaquim Paula [ALBUM:1503] Passeio de utentes do LSA na Barca do Lago em comemoração do Dia do Ambiente e início do verão [ALBUM:1510] Visita dos finalistas do CIB e do IRSI à escola do 1.° ciclo António Fogaça [ALBUM:1508] Visita do CIB aos Bombeiros de Barcelos e às instalações da PSP de Barcelos [ALBUM:1507] Encenação da peça “O Que Isto Custa”, pel’ A Capoeira – Companhia de Teatro de Barcelos, no LNSM e CD [ALBUM:1506] Apoio a Portugal, no Lar do Centro Social Comendadora Maria Eva Nunes Corrêa, antes do Portugal 5 – 0 Uzbequistão [ALBUM:1511]
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O espírito e a comemoração dos Santos Populares invadiram várias unidades da Misericórdia de Barcelos, como é tradição, ao longo do mês de junho, com martelinhos, manjericos, marchas populares e bailarico. Foram momentos de celebração, encontro e partilha intergeracional, que aqui retratamos. UCCI – Santo António – Celebração de eucaristia seguida de marcha com as crianças do IRSI e convívio – [ALBUM:1500] Lar de Santo André – Santo António – Noivos de Santo António, marcha de utentes e colaboradores, dança e convívio festivo – [ALBUM:1501] Lar Nossa Senhora da Misericórdia e Centro de Dia – São João – Marcha pelos utentes e colaboradores do LNSM e CD e atuação do DJ Lilas Cruz – [ALBUM:1502] Centro Social Comendadora Maria Eva Nunes Corrêa – São João – Marchas das crianças e das pessoas idosas do CSCMENC e atuação musical – [ALBUM:1498] Lar da Misericórdia e Lar Rainha Dona Leonor – São Pedro – Marchas das crianças do CIB e dos utentes e colaboradores da ERPI, seguidas de atuações musicais de Liliana Oliveira e Simão Marques e ainda Mamex – [ALBUM:1499]
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Uma comitiva de designers e agentes culturais nacionais e internacionais visitou, esta terça-feira, o Arquivo Leonor e o Núcleo Museológico da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB). Esta visita aconteceu no âmbito de uma residência criativa do projeto europeu Sustainable Archives and Greener Approaches, integrado no programa Creative Europe, do qual a Escola Superior de Design (ESD) do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) faz parte. O momento enquadra-se pelo relevante interesse que o Arquivo Leonor representa enquanto caso de estudo de um arquivo histórico local. “A oportunidade de visitar o Arquivo Leonor e a Misericórdia de Barcelos tem a ver com a pertinência de mostrar o que é um arquivo privado, uma instituição local e regional, que também tem aqui um propósito e um objetivo de dar a conhecer aquilo que é o seu património, bem como as ações que estão a ser feitas e as estratégias usadas para cumprir esse objetivo”, explicou, no final, o diretor da ESD, Jorge Brandão Pereira. A acompanhar a comitiva estiveram diversos representantes da SCMB. O provedor da instituição, Nuno Reis, considerou esta “uma excelente oportunidade para dar a conhecer o Arquivo Leonor e o Núcleo Museológico” e “divulgar as estratégias de valorização cultural e patrimonial que a Misericórdia de Barcelos tem vindo a desenvolver”. A visita contou com a participação de elementos da ESD do IPCA, da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), do Arquivo Nacional de Espanha, do Arquivo Nacional da Hungria, do Arquivo da União Europeia de Florença (Itália) e ainda do Arquivo Nacional de Malta. “São sobretudo designers que estão a desenvolver projetos criativos e conceitos que se relacionam com a comunicação em produto, inspirada em documentos históricos selecionados pelos vários parceiros do projeto e esta residência tem o propósito de colocar as pessoas em contacto e harmonizar, digamos assim, aquilo que são projetos criativos diversificados”, concluiu Jorge Brandão Pereira. Refira-se que esta visita contou também com a presença do responsável da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, Luís Filipe Santos. A importância da abertura da SCMB à comunidade e das relações de cooperação com os mais diversos parceiros institucionais é enfatizada pelo provedor Nuno Reis: “Recordo o importante contributo da DGLAB no Colóquio em que o papel do nosso Arquivo Leonor, como referencial para a salvaguarda do património documental das Misericórdias, serviu de mote para a divulgação de uma investigação que trouxe novos dados sobre a data de fundação da SCMB”. “Quanto ao IPCA, as relações são também de proximidade e trabalho conjunto, como é este que tem vindo a ser desenvolvido em temáticas ligadas à cultura, mas também em outras vertentes como a investigação e testagem de dispositivos ligados à área da saúde ou a investigação sobre a importância dos jogos de tabuleiro na estimulação cognitiva das pessoas idosas”, completou o provedor da SCMB. [ALBUM:1497]
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Ao assinalar o Dia da Criança, celebramos e valorizamos a autenticidade, a energia, a alegria e a curiosidade dos mais pequenos. Na SCMB, diariamente, procuramos despertar-lhes a criatividade, encorajamos a bondade e a solidariedade e reconhecemos a ternura de cada uma das ‘nossas’ crianças. A data convoca também à reflexão, para que todas as crianças possam crescer e desenvolver-se, com todos os seus direitos respeitados. Na Misericórdia de Barcelos, o Dia da Criança foi celebrado com teatro, muitas brincadeiras e motivos para sorrir. Creche “As Formiguinhas” [ALBUM:1494] Centro Infantil de Barcelos [ALBUM:1495] Infantário Rainha Santa Isabel [ALBUM:1493] Centro Social Comendadora Maria Eva Nunes Corrêa (Silveiros) [ALBUM:1496]
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O mês de maio foi vivido, na Misericórdia de Barcelos, com devoção, Fé e oração, prestando homenagem a Maria, Mãe de Deus e Mãe de Misericórdia. O Concílio Vaticano II, na Constituição Lumen Gentium, sublinha que “Maria ocupa na Igreja um lugar único e incomparável […] Ela é a Mãe do Redentor, a primeira discípula, a que disse “sim” antes de todos, a que permaneceu fiel até o fim”. Veja as imagens dos momentos de oração e introspeção vivenciados pelos utentes internados na Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) de Santo António e pelos que vivem nas estruturas residenciais para pessoas idosas. UCCI de Santo António [ALBUM:1492] Lar da Misericórdia e Lar Rainha Dona Leonor [ALBUM:1489] Lar Nossa Senhora da Misericórdia e Centro de Dia [ALBUM:1490] Lar de Santo André [ALBUM:1491]
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