Atualmente, associamos os bancos e as finanças ao mundo moderno, mas, antigamente, as Santas Casas da Misericórdia desempenharam um papel financeiro surpreendente. Numa época em que não existia nenhum banco formal em Portugal (o primeiro só surgiria nos anos 20 do século XIX), as Misericórdias tornaram-se os principais centros de empréstimo a juros para as comunidades. Para compreendermos o peso destas questões no dia a dia das instituições, nada melhor do que recuar aos registos originais. Corria o ano de 1709, em plena Guerra da Sucessão Espanhola — um conflito de grande escala que envolvia a Europa Ocidental e colocava Portugal (integrado na Grande Aliança desde o Tratado de Methuen, em 1703) ao lado da Inglaterra, das Províncias Unidas e da Áustria, contra Filipe V de Espanha e a França. Na fronteira peninsular, as operações militares no Alentejo e na Estremadura espanhola faziam-se sentir duramente, marcadas por episódios desfavoráveis aos aliados, como a Batalha da Gudiña (conhecida em Portugal como Batalha do Caia), travada em maio de 1709. É este clima de instabilidade e de guerra que a ata da Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos evoca com clareza ao justificar as dificuldades de tesouraria da época e, ao mesmo tempo, a compreensão para com os seus caseiros: Corria o ano de 1709: Aos dois dias do mês de julho de mil e setecentos e nove, estando em mesa o provedor e irmãos abaixo assinados para efeito de fazerem eleição, acordaram seria serviço de Deus e desta Casa tornarem a continuar outro ano para efeito se cobrarem muitas dívidas que se estão devendo, assim de juros como de próprio e mais dividas de caseiros que se não puderam cobrar em razão de estarem atenuadas em razão das guerras, por cuja razão se não pode dar cumprimento às obrigações desta casa, e logo acordaram também o provedor e irmãos que por se achar o irmão da mesa o licenciado Manuel Lopes de Amorim preso na cadeia desta vila, e não poder assistir a sua obrigação nomearam para irmão da mesa a Manuel de Mariz e Faria de que se mandou fazer este termo que assinaram. Francisco de Moura Mariz escrivão da Santa Casa que o escrevi. Figura 1. Arquivo Leonor. Livro de termos de admissões de irmãos, eleições, outros da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (1670-03-30-1715-07-07). Disponível em https://atom.misericordiabarcelos.pt/index.php/termos-de-admissoes-de-irmaos-eleicoes-outros Mas como é que isto era visto pela sociedade? Numa altura em que a Igreja condenava a usura, emprestar dinheiro a juros parecia um pecado. A solução engenhosa foi dar-lhe uma legitimação espiritual: o dinheiro era emprestado em nome dos pobres, das almas do Purgatório e da caridade, o que afastava o estigma do enriquecimento pessoal. No entanto, há um detalhe fascinante (e muito revelador da época): não eram apenas os pobres que recorriam a estes empréstimos. Pelo contrário, o dinheiro nos cofres da Misericórdia era emprestado preferencialmente aos estratos mais poderosos e influentes da sociedade local — como a nobreza e grandes proprietários —, que precisavam de capital para comprar terras, pagar dívidas ou financiar negócios. Onde estava o problema? Como estas elites eram intocáveis e as Misericórdias careciam de força política para obrigá-las a pagar, os calotes acumularam-se. Muitas instituições ricas acabaram por se ver a braços com uma crise profunda devido aos juros e ao capital que nunca mais voltaram. A situação chegou a tal ponto que o próprio Estado teve de intervir. Na segunda metade do século XVIII, o Marquês de Pombal usou a liquidez destas instituições para alavancar a economia nacional (como em 1756, ao canalizar fundos para a Companhia das Vinhas do Alto Douro). Mais tarde, perante o descalabro provocado pelos calotes da nobreza, Pombal travou a situação ao proibir totalmente a Misericórdia de Lisboa de emprestar dinheiro a juros a particulares (1775), enquanto D. Maria I viria, mais tarde, a conceder às Santas Casas o poder de cobrança executiva com a mesma força da Fazenda Real. Quando a necessidade apertava, a Misericórdia de Barcelos não hesitou: financiou a juros, mesmo contra as normas da Igreja, porque o bem-estar do próximo valia mais do que a letra da lei. Foi assim que resistiu a crises e guerras e se tornou um pilar da identidade barcelense que hoje conhecemos. Referência bibliográfica: Sá, I. G., & Lopes, M. A. (2008). História breve das Misericórdias portuguesas (1498-2000): Estado da arte. Imprensa da Universidade de Coimbra. Disponível em: https://estudogeral.uc.pt/handle/10316/29336 (Texto: Alexandra Vidal)
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Erradicar a pobreza é um compromisso que se constrói todos os dias, através da promoção da dignidade, da inclusão e da igualdade de oportunidades. Na Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, este compromisso faz parte da nossa missão e concretiza-se através do trabalho desenvolvido pelo Serviço de Ação Social e Voluntariado, em proximidade com as pessoas e famílias em situação de maior vulnerabilidade. Ao longo dos anos, são várias as iniciativas e respostas desenvolvidas pelo Serviço de Ação Social e Voluntariado que contribuem para este propósito: Atendimento e acompanhamento (bio)psicossocial, através de uma intervenção individualizada, que procura informar, orientar, articular e encaminhar pessoas e famílias, tendo em conta as suas necessidades. Consulta solidária de acompanhamento psicológico. Ajuda alimentar e distribuição de outros bens essenciais, através de cabazes alimentares semanais, mensais, de emergência e de Natal, destinados a apoiar famílias carenciadas, contando com o apoio dos donativos de supermercados parceiros, como Pingo Doce, Intermarché e Continente. Voucher Amigo, uma parceria com a Peixaria Meireles, que permite às famílias beneficiárias a aquisição de peixe sem custos associados. Campanhas de angariação de bens essenciais, realizadas em diferentes unidades operacionais da SCMB e em parceria com os supermercados locais. Brinquedo Mágico de Natal, uma iniciativa de solidariedade que envolve as crianças das nossas respostas da Educação na Infância na angariação de brinquedos destinados às crianças das famílias acompanhadas pelo Serviço de Ação Social. Moda Solidária, através da abertura da Loja Social à comunidade, disponibilizando gratuitamente vestuário, calçado e outros bens a quem deles necessita. Ações de capacitação e sensibilização, destinadas a promover o desenvolvimento pessoal e a qualidade de vida das pessoas beneficiárias. Apoio na aquisição de gás, através da parceria com a Entreajuda/Galp, que, no âmbito da campanha de combate à pobreza energética, permite disponibilizar vouchers para a aquisição de botijas de gás a famílias em situação de vulnerabilidade. Orientação Psicossocial, através do projeto “ProCuidador 2.0”, que proporciona acompanhamento aos cuidadores informais, promovendo o seu bem-estar e ajudando-os a lidar com os desafios associados ao papel de cuidador. (Texto: Serviço de AS&V)
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Esta terça-feira, a Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB) prestou homenagem à Comendadora Maria Eva Nunes Corrêa, benemérita da instituição, falecida há 23 anos, e a quem se deve a edificação do Centro Social ao qual dá nome. No decorrer da eucaristia, o Padre Vítor Sá louvou “o exemplo e a dádiva da Comendadora Maria Eva à comunidade que muito lhe agradece e que não a esquece por todos os benefícios que concedeu”. No final da eucaristia em memória da benemérita, a vice-provedora da instituição, Manuela Dantas, congratulou a equipa de colaboradores do Centro Social Comendadora Maria Eva Nunes Corrêa (CSCMENC), e lembrou que “todos os anos, temos comemorado o aniversário de falecimento da D. Maria Eva”. “Foi uma grande benfeitora, uma pessoa que, naquela altura, num gesto tão bonito, contribuiu para a construção deste lar e permitiu que 25 utentes pudessem, então, ingressar na estrutura residencial”. A cerimónia de reconhecimento e homenagem contou com a participação de crianças, pessoas idosas e colaboradores do CSCMENC, familiares e órgãos sociais. No decorrer da cerimónia, foi ainda recordada a Beata Alexandrina de Balasar, “uma grande mulher, que também soube ser diferente no seu tempo e soube deixar uma grande marca nos da sua época e nos das épocas vindouras”, enunciou o Pe. Vítor Sá, para, depois, concluir: “São patamares diferentes, com certeza, mas cada uma, a seu modo, soube viver não tanto para si, mas para os outros”. Na eucaristia, rezou-se também pela recuperação e pela saúde do Papa Leão XIV. [ALBUM:1574]
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Entre finais de agosto e setembro, decorreu, como habitualmente, uma busca incessante pela espiga rainha. Em várias unidades operacionais da SCMB, com o milho na "eira", decorreram as tradicionais desfolhadas, que, além de serem momentos de confraternização, contribuíram para a valorização de tradições, memórias e da nossa própria identidade cultural e comunitária. UCCI de Santo António [ALBUM:1563] Centro Social Comendadora Maria Eva Nunes Corrêa [ALBUM:1564] Lar de Santo André [ALBUM:1566] Lar Nossa Senhora da Misericórdia e Centro de Dia - Animação musical do grupo Entre Cordas - [ALBUM:1565] Lar da Misericórdia e Lar Rainha Dona Leonor - Animação musical de Amigos das Cordas de Barcelos - [ALBUM:1572] Infantário Rainha Santa Isabel [ALBUM:1573]
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Setembro ficou marcado pela inauguração da requalificação e alargamento do Infantário Rainha Santa Isabel, integrada na visita do secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, à Santa Casa da Misericórdia de Barcelos. Outro dos momentos do mês foi a realização da 9.ª edição do Open Day da Saúde e ainda a exposição itinerante “O Coração do Voluntariado”. Hoje, recordamos outros momentos e acontecimentos do mês. DIAS COMEMORATIVOS Dia Mundial da Fisioterapia – UCCI [ALBUM:1562] Dia do Psicólogo LNSM/CD [ALBUM:1559] Dia Mundial do Turismo [ALBUM:1558] 101 ANOS DA D. LUCINDA A 22 de setembro, celebrámos os 101 anos de vida da D. Lucinda, utente da Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) de Santo António. [ALBUM:1561] ATIVIDADE/DINÂMICAS COM BALÕES – LM/LRDL [ALBUM:1560]
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A Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB) voltou a ser reconhecida com o Prémio BPI Fundação “la Caixa” – Infância. A distinção acontece pela segunda vez, num espaço curto de tempo, depois de, em finais de 2023, ter sido reconhecido o projeto “Fora da Caixa”. O Prémio BPI Fundação “la Caixa” – Infância reconhece o compromisso da instituição em “antecipar e combater dificuldades de aprendizagem”, atribuindo um apoio financeiro de 10.500,00€. O provedor da SCMB, Nuno Reis, foi o porta-voz da satisfação da instituição pelo reconhecimento validado: “Este prémio é um estímulo ao trabalho desenvolvido. Voltarmos a ser agraciados, num espaço de tempo relativamente curto, e numa das principais áreas de ação da Santa Casa, é algo de notável e que gostaria de dedicar a cada uma das pessoas que ao longo destes anos têm sabido inovar, percebendo a importância de fazermos bem as coisas boas”. O projeto Fora da Caixa 2.0 – Laboratórios transformadores tem como objetivo geral “promover a saúde mental e o desenvolvimento adaptativo da criança, mitigando as situações de vulnerabilidade social nas práticas parentais e no bem-estar psicológico infantil”. Intervindo e envolvendo, nesse processo, comunidade, profissionais de educação, famílias e crianças, o projeto integra abordagens da psicologia educacional, educação inclusiva, promoção da saúde mental e desenvolvimento comunitário. Concretamente, o Fora da Caixa 2.0 – Laboratórios Transformadores pretende “promover a saúde mental infantil, através de acompanhamento psicológico e laboratórios de regulação emocional”; “reforçar competências pedagógicas e práticas inclusivas de agentes educativos (Laboratórios Profissionais)”; “desenvolver a Plataforma Digital (Laboratório Digital)”; e “capacitar pais/mães/cuidadores/as para práticas parentais positivas (Laboratório Parental)”. A Santa Casa da Misericórdia de Barcelos foi uma das 32 instituições sociais distinguidas, entre 170 candidaturas apresentadas na edição deste ano.
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