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21 Set
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Conjunto documental de Inácio da Silva Medela

Nos primeiros anos das nossas vidas, uma das primeiras perceções é da pertença. Pertencemos, à partida, a um pai, a uma mãe, a um grupo familiar, territorial, étnico… É esse sentimento, essa consciência que nos molda como indivíduos, essa linha genética e genealógica que molda sociedades através dos tempos. Desta pertença, surge a necessidade de narrar e consolidar os laços familiares, surge a Genealogia! Acompanhando a própria História da Humanidade, a Genealogia pode ser entendida, de forma genérica, como a História das origens e desenvolvimento dos indivíduos e grupos familiares. Em Portugal, foi Alexandre Herculano, com a publicação dos Livros de Linhagens, quem deu o arranque para a moderna genealogia em Portugal, que na atualidade deve ser considerada mais do que uma prática: uma ciência integrada na História da Família, Social, Demográfica e Local. Nesta perspetiva, destacamos este mês um conjunto documental referente a um importante legado de Inácio da Silva Medela que deu origem a diversas obras de caráter genealógico que constam do acervo do Arquivo Leonor. Mas vamos primeiro apresentar a figura principal… Inácio da Silva Medela, natural da vila de Barcelos, nascido no arrabalde da Cruz e batizado em 4 de agosto de 1672 na Colegiada, era filho de Pascoal Rodrigues Medela, sapateiro, e de Helena Ribeiro da Silva, filha de um cirurgião. Partindo para as minas no final do século XVIII, viria a tornar-se num dos homens de negócios mais ricos da praça do Rio de Janeiro (cidade onde viveu na rua Direita) e mesmo de todo o Brasil colonial, segundo alguns autores. Habilitou-se ao Santo Ofício, tendo obtido carta de familiar em 16 de janeiro de 1731, mesmo se concedida sob suspeita de ter partes de cristão novo. Foi grandioso devoto e benemérito do Bom Jesus da Cruz, na então vila de Barcelos. Fez em 1725 uma ampla dotação à Irmandade do Bom Jesus da Cruz, da sua terra natal, instituindo um coro no qual se rezava diariamente de manhã e de tarde os ofícios divinos, com nove capelães e dois meninos do coro, tendo principiado em 1729. Dotou ainda com móveis e joias preciosas a imagem do Menino Deus. Deixou um importante legado à Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, que constava de casas na rua da Carioca, no Rio de Janeiro e com muitas obrigações de dotes e legados a parentes. Ofereceu ainda a pequena e bela imagem de madeira (toro de pau de cedro enviado do Brasil) da Senhora da Piedade que se encontra no retábulo do altar-mor do Senhor da Cruz, em Barcelos, e uma custódia de prata (cujo metal precioso enviou do Brasil). Foi ainda grande benfeitor, no Rio de Janeiro, da Santa Casa da Misericórdia, bem como da Venerável Ordem Terceira da Penitência. Casou-se na Sé do Rio de Janeiro, em 7 de janeiro de 1704, com Maria de Almeida, filha do português Francisco de Almeida Jordão e de sua mulher, Helena de Faria, natural do Rio de Janeiro, mas não tiveram geração. Inácio da Silva Medela veio a falecer em 1746, no Rio de Janeiro. A fortuna foi considerada uma das maiores do seu tempo em terras brasileiras, deixando à sua morte, entre muitas outras coisas, terrenos na baía de Guanabara, transformando-se num dos maiores benfeitores do seu tempo. Inácio Medela, não esquecendo os seus familiares, legou grande parte de sua fortuna a instituições de caridade no Rio de Janeiro e em sua Barcelos natal, nomeadamente à Santa Casa da Misericórdia. Encontramos ainda referências à sua pessoa em várias diligências de habilitação a familiar do Santo Ofício (Inquisição), entre 1721 e 1731, onde, para além da referência à sua família, havia desconfianças de que era cristão-velho (judeu), mas deixara um legado de uma missa ordinária na Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, por ele e por sua mulher. Seria uma pessoa de bons procedimentos, sisudo, prudente e de segredo, que sabia ler e escrever e, para além disso, ter-se-ia tornado clérigo pela Ordem Terceira de S. Francisco! Do legado à Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, temos notícias em dois requerimentos do provedor e irmãos da Misericórdia da Vila de Barcelos sobre o mesmo. entre 1757 e 1820, em que ficamos  a saber que “desejava beneficiar as suas parentas pobres e órfãs desvalidas (…) para dotes de parentas pobres que quisessem ser religiosas e na falta destas para dotes de casamento e ainda em parte das que não fossem parentes, contratando com a Santa Casa da Misericórdia o ficar responsável pela arrecadação deste rédito anual, administração e satisfação destes legados, segundo a forma por ele prescrita pelo interesse da quarta parte do mesmo rendimento ser a favor da mesma Santa Casa”.   Da sua obra de beneficência temos, no arquivo da Misericórdia (Arquivo Leonor), os seguintes registos: Escritura de legado de missa quotidiana de Inácio da Silva Medela - 1676-08-29-1776-08-29 - Escritura de legado de missa quotidiana de Inácio da Silva Medela, assistente no Rio de Janeiro. Contém aceitação do legado da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos de 1776-08-29. Cópia da instituição do legado de Inácio da Silva Medela - 21 de outubro de 1741, contém procuração, apontamentos do instituidor, com anotações de 27 de março de 1795; cópia da aceitação do padrão de 1 de junho de 1744; cópia de escritura da aceitação do legado; cópia de escritura de declaração que fez Inácio da Silva Medela do Rio de Janeiro por seu procurador o padre Manuel Pereira Medela e certidão com o teor do testamento com que faleceu o instituidor e codicilo. Termo de Abertura de 27 de Janeiro de 1746 - Livro da geração de Inácio da Silva Medela, natural da vila de Barcelos e morador no Rio de Janeiro, por sanguinidade, linha reta e transversais de seus pais, avós paternos e maternos , para na Santa Casa da Misericórdia da dita vila, se administrar pelos irmãos da mesa o legado, que o mesmo Inácio da Silva Medela na dita Santa Casa instituiu, na forma da instituição dele que vai por lembrança copiada neste livro a folhas nove e da aceitação de um padrão de juro real de quatro e meio por cento e de trinta mil cruzados o principal, a folhas dezassete verso, cópia de uma carta a folhas vinte índex dos parentes a folhas vinte e cinco, árvore paterna a folhas cento e treze e a materna a folhas trezentas e setenta e sete e pela da escritura que se há-de fazer quando ele se entregar na referida mesa; vai numerado e rubricado por mim com seu encerramento no fim, e para constar fiz este assento que assino. Esposende de janeiro 27 de 1746. João Ferreira Linhares. Livro de registo das pagas dos dotes da herança de Inácio da Silva Medela - 1746-06-12-1849-07-01 Rol dos parentes de Inácio da Silva Medela – 1764 - Registo da Genealogia de Inácio da Silva Medela. Contém índice e caderno anexo com rol dos parentes mais próximos. Árvore genealógica de Inácio da Silva Medela, feita sendo provedor Manuel José de Barbosa Faria e secretário Manuel José da Costa Felgueiras Gayo - 1795 Esta árvore dos parentes de Inácio da Silva Medela foi extraída do próprio tombo dela que apresentou nesta mesa o procurador do dito, assinada pelo mesmo, em que se acham os parentes que presentemente existem nos seus competentes graus, cuja árvore há-de servir para a conferência do dote de quatrocentos mil réis e esmolas dos dez mil réis, que na forma da instituição do dito Inácio da Silva se conferem alternadamente, e se fez por mandado da mesa, em razão de que a árvore que té agora servia para o dito fim se achava incapaz, não só por falta de papel para acrescentamentos necessários, mas muito principalmente por estar errada nos graus, com grave prejuízo dos parentes; e foi continuada esta árvore, onde não chegava o dito tombo, pela da conferência anterior a esta, e documentos verídicos, que tudo fica no arquivo desta Santa Casa, aos quais me reporto e depois de concluída a presente, a conferi, e achei ir na verdade, em fé do que me assino. Barcelos, 20 de março de 1795 anos, eu Manuel José da Costa Felgueiras Gaio o subscrevi e assinei.   BIBLIOGRAFIA ANTT, Habilitação ao Santo Ofício, Informações de limpeza de sangue e geração de Ignácio da Silva Medela, homem de negócio, da villa de Barcellos, Arcebispado de Braga, filho de Paschoal Roiz e morador na cidade do Rio de Janeiro. M. 4, Dil. 65. BOGACIOVAS, Marcello Meira Amaral – “A família Medela de São Paulo (novas informações)”, in: Revista da ASBRAP, n.º 22, São Paulo, 2016, pp. 801-913. TRIGUEIROS, António Júlio Limpo – “Ouro brasileiro no aquém Cávado”, in: 5º congresso internacional Casa Nobre – um património para o futuro, Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez: Arcos de Valdevez, 2017, pp. 225-240.  SILVA, Armando Malheiro da - A genealogia em Portugal e o desafio do presente, Porto : Universidade Moderna do Porto. Centro de Estudos de Genealogia, Heráldica e História da Família, 1986, pp. 5-27. Disponível em: https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/35305   Texto: Área de Cultura da SCMB

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19 Set
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Casa de Santa Maria acolherá residência para estudantes

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB), Nuno Reis, assinou, na passada quinta-feira, 15 de setembro, o contrato-programa que formaliza o financiamento do projeto de reabilitação da Casa de Santa Maria para alojamento de estudantes do ensino superior. A cerimónia de assinatura contou com a presença do Primeiro-Ministro, António Costa, da Ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e da Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato. No final da cerimónia, que decorreu na Academia de Ciências de Lisboa, foi destacada a relevância desta intervenção, não só por permitir salvaguardar património antigo – devoluto há já alguns anos – e trazer mais pessoas a viver no centro da cidade, mas ainda pela função social de contribuir para o alojamento de “estudantes deslocados, designadamente os mais desfavorecidos economicamente, dando resposta às necessidades que a pressão do mercado imobiliário impôs, sobretudo nos últimos anos”. A candidatura ao Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior foi desenvolvida por colaboradores da Santa Casa de Barcelos. O projeto de reabilitação da Casa de Santa Maria atenta na proteção e preservação histórica do edificado, que remonta ao século XVIII. O financiamento com uma verba de €1.404.165 euros permitirá disponibilizar 43 camas de residência estudantil para estudantes do ensino superior carenciados e deslocados. A primeira fase da reabilitação da Casa de Santa Maria decorrerá no âmbito do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior – financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência –, gerido pela Agência Nacional Erasmus+ Educação e Formação, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. [ALBUM:457]

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