Foi com grande entusiasmo e contentamento que, nos últimos dias, acolhemos na Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB) mais de quatro dezenas de jovens espanholas, oriundas da Fundació Montblanc, numa ação de voluntariado.
Ao longo de cinco dias, as jovens voluntárias colaboram nas várias dinâmicas da instituição, apoiando nas rotinas diárias das pessoas idosas (do Lar Nossa Senhora da Misericórdia e do Lar Rainha Dona Leonor) e dinamizando várias atividades, como construção de flores em papel, bowling adaptado, jogos de memória, de cartas, bingo e, ainda, apresentação de danças e canções tradicionais espanholas.
Bárbara, de 15 anos, já por cá tinha estado, no ano passado. “Fizemos voluntariado aqui na Santa Casa e correu super bem, fomos muito bem acolhidas. Este ano, quando fomos desafiadas a vir, novamente, fazer voluntariado, dissemos ‘claro que sim’. Foi uma experiência brutal, que recomendaria a todos. Aprendemos muito com todos”.
























































































Voluntariado internacional_ Acolhimento_ 01
No Centro Infantil de Barcelos e no Infantário Rainha Santa Isabel, as voluntárias puseram, igualmente, mãos à obra, acompanhando todo o processo e participando na pintura de paredes exteriores.
Lara, de 14 anos, já tinha feito “algum voluntariado”, mas “nunca tinha ido tantos dias ao mesmo sítio”. “Já tinha feito na área social, estando com as pessoas idosas, mas nunca tinha feito um voluntariado de restaurar coisas, pintar, limpar e, na verdade, gostei. Não socializámos tanto com as pessoas, os utentes, mas fizemos uma boa causa para os ajudar. Foi muito bonito, porque também as pessoas que por lá passavam nos felicitavam”, explicou, no final. Já Cristina, de 15 anos, “nunca antes tinha feito voluntariado”, mas acedeu a experimentar, depois de desafiada por uma amiga. “Quis aproveitar, entre amigas, estes dias de verão para ajudar os outros. […] É verdade que, ao princípio, me cansava muito, porque não estava habituada a pintar. Mas, depois, foi uma felicidade, porque pusemos música e, cansavas-te, mas havia alegria nos rostos das pessoas ao verem que estavas a fazer algo pelos outros”, contou. E o balanço não poderia ser mais positivo: “Foi a minha primeira experiência de voluntariado e correu pelo melhor. Estou encantada e espero poder repetir”.
Na cerimónia de encerramento, o provedor da Misericórdia de Barcelos, Nuno Reis, agradeceu o importante contributo das mais de quatro dezenas de voluntárias: “Estou seguro, e as pessoas das unidades têm-me transmitido isso mesmo, que da vossa parte houve um envolvimento muito grande com as pessoas. Isso é fantástico! Não só na perspetiva do que significa cuidar de crianças, de pessoas idosas, de pessoas que estão doentes, mas também saber que a pessoa voluntária se sente realizada aqui”. “Por isso, um grande agradecimento a cada uma de vós, por tudo o que aqui fizestes”, rematou Nuno Reis.
A ação contou com o apoio do Leroy Merlin, através da disponibilização de vários materiais, pelo que aqui deixamos o nosso sincero agradecimento. A colaboração do Leroy Merlin demonstrou um compromisso com a responsabilidade social e com o desenvolvimento sustentável, valores que compartilhamos e admiramos.
O voluntariado é para aqueles que se atrevem a fazer a diferença! Se quiser juntar-se a nós e deixa a sua marca, saiba mais em:
Campo da República, 4750-275 Barcelos | 253 802 270 (Chamada para a rede fixa nacional) | 925 977 709 (Chamada para a rede móvel nacional) | [email protected]
SCM Barcelos, 01-08-2024
Sabia que os jogos de tabuleiro podem ajudar a envelhecer de modo ativo e inclusivo? Que estimulam cognitivamente, mas atuam também no domínio socioemocional e ao nível da motricidade? Eis algumas das conclusões de um projeto de investigação, promovido pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB), e que, esta quarta-feira, chegou ao fim. O projeto «Contributo dos Jogos de Tabuleiro Modernos para um Envelhecimento Ativo e Inclusivo» teve início em abril de 2025, no Centro de Dia, e, face aos resultados positivos obtidos, foi alargado às Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) da SCMB. A intervenção passou a abranger o Lar Nossa Senhora da Misericórdia, o Lar de Santo André, o Lar Rainha Dona Leonor e o Lar da Misericórdia, envolvendo grupos de utentes com diferentes níveis de autonomia. No âmbito do projeto, foi desenvolvido um estudo junto dos utentes do Centro de Dia e das ERPI, com o objetivo de avaliar o contributo dos jogos de tabuleiro modernos a um público sénior e pré-sénior, para a promoção de um envelhecimento ativo e inclusivo. Ao longo das sessões, procurou-se compreender de que forma os jogos de tabuleiro modernos podem ser aplicados neste contexto e contribuir para a estimulação cognitiva, a promoção da interação social, o desenvolvimento da motricidade e o bem-estar dos participantes. Os resultados obtidos foram muito positivos, com os utentes a demonstrarem “grande evolução em todos os domínios”. Cognitivamente, foi notável a capacidade crescente para a compreensão de regras cada vez mais complexas e formulação de estratégia. No domínio socioemocional, foi-se notando um à-vontade crescente, com mais interação e entusiasmo. Ao nível da motricidade, foram registados desenvolvimentos positivos, principalmente com os jogos mais físicos. Já no domínio da participação, a evolução é “excecional”, com os utentes a mostrarem-se cada vez mais independentes no jogo. Esta experiência demonstrou que os jogos de tabuleiro modernos constituem uma ferramenta inovadora e eficaz na promoção do envelhecimento ativo, favorecendo não só o desenvolvimento cognitivo e funcional, mas também o fortalecimento das relações sociais e da qualidade de vida dos participantes. *com Rita Pereira [ALBUM:1513]
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O Livro do movimento de doentes do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos O Livro de Movimento do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, que abrange os anos de 1715 a 1767, é muito mais do que um repositório de registos administrativos. É o diário silencioso da assistência hospitalar setecentista, um testemunho onde as tintas desbotadas pelo tempo ainda sussurram as dores e esperanças daqueles que batiam à porta da Santa Casa. Ao folhear os seus assentos, descobrimos um centro nevrálgico de proteção, onde as vidas de "pobres", "peregrinos", "soldados" e “abandonados” se entrelaçavam num destino comum de busca por amparo. Contudo, entre as linhas da burocracia, encontram-se breves e lancinantes notas sobre a fragilidade humana e o abandono. Por vezes, a rede de caridade da Misericórdia deparava-se com o peso do trágico: casos onde o socorro chegava tarde demais para salvar o corpo, restando à instituição a derradeira e piedosa missão de salvar a alma inocente e conceder-lhe a dignidade do descanso cristão. É o que nos revela o triste assento de novembro de 1762: Aos 2 dias do mês de novembro do ano de 762 mandou representar o doutor juiz de fora desta vila ao provedor desta Santa Casa que se achou uma menina por nome Maria de idade de seis meses filha que se diz ser de Andreza solteira da freguesia de Joane, termo desta vila, a qual criança se achava morta na dita freguesia e viera com uma presa para se fazer corpo de delito e como era pobre a devia o provedor da Santa Casa enterrar para mandar-lhe dar sepultura o que ele assim ordenou e eu como capelão-mor assim a mandei a sepultar em uma das igrejas destra Santa Casa e para constar fiz este assento era ut supra. — Padre Adão Rodrigues do Vale. A gestão destas admissões, conduzida sob a autoridade do provedor, revela como a Misericórdia de Barcelos erguia um muro de caridade face à precariedade do século XVIII. Mais do que registos, estas páginas devolvem a visibilidade a vidas invisíveis e consolidam a instituição como o derradeiro pilar de humanidade na então vila de Barcelos.Frases curtas e definitivas, como "por ser pobre foi admitida", ou os registos de óbito — como o da pequena Maria, cujo curto percurso de vida se perdeu no abandono — lembram-nos que, por trás de cada traço de tinta, pulsava uma existência. Nesses momentos de extrema vulnerabilidade, quando o mundo falhava à criança, a Santa Casa abria os seus braços, garantindo que a sua curta passagem por esta vida terminasse com a dignidade que a sua inocência merecia. Figura 1. Arquivo Leonor. Livro do Movimento dos doentes do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, fl. 76. Disponível em: https://atom.misericordiabarcelos.pt/index.php/livro-de-movimento-de-doentes-do-hospital-1715-1767 Aos 2 dias do mês de novembro do ano de 762 mandou representar o doutor juiz de fora desta vila ao provedor desta Santa Casa que se achou uma menina por nome Maria de idade de seis meses filha que se diz ser de Andreza solteira da freguesia de Joane, termo desta vila, a qual criança se achava morta na dita freguesia e viera com uma presa para se fazer corpo de delito e como era pobre a devia o provedor da Santa Casa enterrar para mandar-lhe dar sepultura o que ele assim ordenou e eu como capelão-mor assim a mandei a sepultar em uma das igrejas destra Santa Casa e para constar fiz este assento era ut supra. O padre Adão Rodrigues do Vale A gestão rigorosa destas admissões, muitas vezes formalizada sob a autoridade do provedor, como, Manuel de Faria de Eça. Fl. 1716-1728, ou de figuras operacionais, revela como a Misericórdia de Barcelos estruturava a caridade num cenário de precariedade. Mais do que a simples burocracia do acolhimento, estas páginas conferem visibilidade às populações itinerantes e aos residentes locais que ali buscavam o seu único refúgio, consolidando a instituição como o pilar central da assistência da então vila de Barcelos. Esta rubrica tem uma carga humana e emocional que a diferencia de todas as outras. Ao trazermos à luz a história desta pequenina, não estamos apenas a transcrever um assento administrativo do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, estamos a devolver a dignidade a uma existência que, de outra forma, teria sido engolida pelo esquecimento. A dureza do registo — a forma como a burocracia do "corpo de delito" e a pobreza da criança se cruzam com a caridade da Santa Casa — torna este momento da nossa rubrica Curiosidades da Misericórdia profundamente comovente. A instituição, neste caso, não foi apenas um hospital; foi o último porto de abrigo de uma alma inocente que a vida, precocemente, desamparou. É, sem dúvida, um dos registos mais tocantes que encontrámos, pois humaniza, de forma irremediável, a "estatística" da caridade hospitalar setecentista e um toque de humanidade que o tempo preservou. Em Memória de Todas das Marias! [Texto: Alexandra Vidal]
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