Recuámos um pouco, até outubro, para recordar alguns momentos e atividades que marcaram a nossa instituição.
SEMANA DA ALIMENTAÇÃO E DIA DO PÃO
Tendo como pretexto o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), toda a semana foi de sensibilização – nas ERPI, infantários e UCCI –, de forma pedagógica e lúdica, para escolhas saudáveis, variadas e sustentáveis. Entre as atividades e dinâmicas, houve até espaço para conhecer a História da Lagartinha Comilona (CSCMENC).











































CSCMENC_EI_SALA 4_2025 (1)
Ainda em outubro, a propósito da sinalização do Dia Mundial do Pão (dia 16), os utentes do Lar Nossa Senhora da Misericórdia (LNSM) e Centro de Dia puseram mãos à obra, com o apoio do Sr. Manuel, da Rosa Cintilante, e recordaram esta prática. O mesmo aconteceu com as crianças do CSCMENC, que ficaram a conhecer o processo necessário até terem um delicioso pão para saborear.













Dia Mundia do Pão_ LNSM (1)
SEMANA DAS NOVAS TECNOLOGIAS
No Lar de Santo André (LSA), a semana das novas tecnologias foi celebrada com jogos no tablet e no computador, destacando o papel destes dispositivos como forma de estimulação da memória, coordenação e promoção do bem-estar.










Semana das Novas Tecnologias_ LSA_ 2025 (1)
DESPORTO E ATIVIDADE FÍSICA
Outubro trouxe ainda desporto e atividade física. Os utentes do LNSM assistiram e participaram – os que puderam – numa aula de zumba e foram ainda ao futebol, a um jogo do ND Os Andorinhas.
E, em véspera da disputa da Taça Continental, as crianças do Centro Infantil de Barcelos (CIB) e do Infantário Rainha Santa Isabel (IRSI) visitaram o Pavilhão Municipal de Barcelos e partilharam a sua energia positiva com o Óquei Clube de Barcelos, que, dali a dias, haveria de conquistar o troféu.




















Aula de Zumba_ LNSM (1)
VALORIZAÇÃO DAS ARTES E TRABALHOS MANUAIS
Outubro foi mês também de promover e valorizar as artes.
Desde teatro – com ida ao Theatro Gil Vicente para assistir à peça "Chef Giovanni e a alimentação saudável" e ainda teatro de marionetas, no IRSI, promovido pelos alunos do curso de Técnicos de Ação Educativa do IEFP de Viana de Castelo…

















Teatro Marionetas_IRSI_2025 (1)
A Tarde de Fado promovida pelo ITAU, no LM/LRDL…




Fado ITAU_ LM-LRDL (1)
E a visita das crianças da sala 7 do CIB à Galeria Municipal de Arte.












Galeria de Arte_ Outono_ CIB (1)
Porque os nossos utentes também são artistas, eis as atividades manuais no LSA, durante o mês de outubro.






Atividades Manuais_ LSA (1)
E nota máxima, também em Silveiros, para os trabalhos de exploração criativa do outono.
















Outono_ EI_ CSCMENC_ 2025 (1)
PASSEIOS E OUTRAS DINÂMICAS NO EXTERIOR
Fora de portas, novamente, os utentes do LSA aproveitaram um dia soalheiro para ir ao café, como forma de promoção da socialização, autonomia e integração na comunidade; as crianças do CSCMENC passearam pela floresta, para observarem e apreciarem as características do outono e darem asas à imaginação; e houve ainda tempo para visita a uma quinta.













Ida ao Café_ LSA (1)
No exterior, as crianças do IRSI prepararam canteiros de plantas com material de desperdício (utilização de paletes e garrafões de plástico usados).












Canteiros_ IRSI (1)
SCM Barcelos, 04-11-2025
Sabia que os jogos de tabuleiro podem ajudar a envelhecer de modo ativo e inclusivo? Que estimulam cognitivamente, mas atuam também no domínio socioemocional e ao nível da motricidade? Eis algumas das conclusões de um projeto de investigação, promovido pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB), e que, esta quarta-feira, chegou ao fim. O projeto «Contributo dos Jogos de Tabuleiro Modernos para um Envelhecimento Ativo e Inclusivo» teve início em abril de 2025, no Centro de Dia, e, face aos resultados positivos obtidos, foi alargado às Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) da SCMB. A intervenção passou a abranger o Lar Nossa Senhora da Misericórdia, o Lar de Santo André, o Lar Rainha Dona Leonor e o Lar da Misericórdia, envolvendo grupos de utentes com diferentes níveis de autonomia. No âmbito do projeto, foi desenvolvido um estudo junto dos utentes do Centro de Dia e das ERPI, com o objetivo de avaliar o contributo dos jogos de tabuleiro modernos a um público sénior e pré-sénior, para a promoção de um envelhecimento ativo e inclusivo. Ao longo das sessões, procurou-se compreender de que forma os jogos de tabuleiro modernos podem ser aplicados neste contexto e contribuir para a estimulação cognitiva, a promoção da interação social, o desenvolvimento da motricidade e o bem-estar dos participantes. Os resultados obtidos foram muito positivos, com os utentes a demonstrarem “grande evolução em todos os domínios”. Cognitivamente, foi notável a capacidade crescente para a compreensão de regras cada vez mais complexas e formulação de estratégia. No domínio socioemocional, foi-se notando um à-vontade crescente, com mais interação e entusiasmo. Ao nível da motricidade, foram registados desenvolvimentos positivos, principalmente com os jogos mais físicos. Já no domínio da participação, a evolução é “excecional”, com os utentes a mostrarem-se cada vez mais independentes no jogo. Esta experiência demonstrou que os jogos de tabuleiro modernos constituem uma ferramenta inovadora e eficaz na promoção do envelhecimento ativo, favorecendo não só o desenvolvimento cognitivo e funcional, mas também o fortalecimento das relações sociais e da qualidade de vida dos participantes. *com Rita Pereira [ALBUM:1513]
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O Livro do movimento de doentes do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos O Livro de Movimento do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, que abrange os anos de 1715 a 1767, é muito mais do que um repositório de registos administrativos. É o diário silencioso da assistência hospitalar setecentista, um testemunho onde as tintas desbotadas pelo tempo ainda sussurram as dores e esperanças daqueles que batiam à porta da Santa Casa. Ao folhear os seus assentos, descobrimos um centro nevrálgico de proteção, onde as vidas de "pobres", "peregrinos", "soldados" e “abandonados” se entrelaçavam num destino comum de busca por amparo. Contudo, entre as linhas da burocracia, encontram-se breves e lancinantes notas sobre a fragilidade humana e o abandono. Por vezes, a rede de caridade da Misericórdia deparava-se com o peso do trágico: casos onde o socorro chegava tarde demais para salvar o corpo, restando à instituição a derradeira e piedosa missão de salvar a alma inocente e conceder-lhe a dignidade do descanso cristão. É o que nos revela o triste assento de novembro de 1762: Aos 2 dias do mês de novembro do ano de 762 mandou representar o doutor juiz de fora desta vila ao provedor desta Santa Casa que se achou uma menina por nome Maria de idade de seis meses filha que se diz ser de Andreza solteira da freguesia de Joane, termo desta vila, a qual criança se achava morta na dita freguesia e viera com uma presa para se fazer corpo de delito e como era pobre a devia o provedor da Santa Casa enterrar para mandar-lhe dar sepultura o que ele assim ordenou e eu como capelão-mor assim a mandei a sepultar em uma das igrejas destra Santa Casa e para constar fiz este assento era ut supra. — Padre Adão Rodrigues do Vale. A gestão destas admissões, conduzida sob a autoridade do provedor, revela como a Misericórdia de Barcelos erguia um muro de caridade face à precariedade do século XVIII. Mais do que registos, estas páginas devolvem a visibilidade a vidas invisíveis e consolidam a instituição como o derradeiro pilar de humanidade na então vila de Barcelos.Frases curtas e definitivas, como "por ser pobre foi admitida", ou os registos de óbito — como o da pequena Maria, cujo curto percurso de vida se perdeu no abandono — lembram-nos que, por trás de cada traço de tinta, pulsava uma existência. Nesses momentos de extrema vulnerabilidade, quando o mundo falhava à criança, a Santa Casa abria os seus braços, garantindo que a sua curta passagem por esta vida terminasse com a dignidade que a sua inocência merecia. Figura 1. Arquivo Leonor. Livro do Movimento dos doentes do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, fl. 76. Disponível em: https://atom.misericordiabarcelos.pt/index.php/livro-de-movimento-de-doentes-do-hospital-1715-1767 Aos 2 dias do mês de novembro do ano de 762 mandou representar o doutor juiz de fora desta vila ao provedor desta Santa Casa que se achou uma menina por nome Maria de idade de seis meses filha que se diz ser de Andreza solteira da freguesia de Joane, termo desta vila, a qual criança se achava morta na dita freguesia e viera com uma presa para se fazer corpo de delito e como era pobre a devia o provedor da Santa Casa enterrar para mandar-lhe dar sepultura o que ele assim ordenou e eu como capelão-mor assim a mandei a sepultar em uma das igrejas destra Santa Casa e para constar fiz este assento era ut supra. O padre Adão Rodrigues do Vale A gestão rigorosa destas admissões, muitas vezes formalizada sob a autoridade do provedor, como, Manuel de Faria de Eça. Fl. 1716-1728, ou de figuras operacionais, revela como a Misericórdia de Barcelos estruturava a caridade num cenário de precariedade. Mais do que a simples burocracia do acolhimento, estas páginas conferem visibilidade às populações itinerantes e aos residentes locais que ali buscavam o seu único refúgio, consolidando a instituição como o pilar central da assistência da então vila de Barcelos. Esta rubrica tem uma carga humana e emocional que a diferencia de todas as outras. Ao trazermos à luz a história desta pequenina, não estamos apenas a transcrever um assento administrativo do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, estamos a devolver a dignidade a uma existência que, de outra forma, teria sido engolida pelo esquecimento. A dureza do registo — a forma como a burocracia do "corpo de delito" e a pobreza da criança se cruzam com a caridade da Santa Casa — torna este momento da nossa rubrica Curiosidades da Misericórdia profundamente comovente. A instituição, neste caso, não foi apenas um hospital; foi o último porto de abrigo de uma alma inocente que a vida, precocemente, desamparou. É, sem dúvida, um dos registos mais tocantes que encontrámos, pois humaniza, de forma irremediável, a "estatística" da caridade hospitalar setecentista e um toque de humanidade que o tempo preservou. Em Memória de Todas das Marias! [Texto: Alexandra Vidal]
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