Em jeito de brincadeira, quase poderia dizer-se que “quem não é para conviver, não é para trabalhar”. Assim sendo, abraçados pelo coração de Viana, voltamos a assinalar o Dia do Colaborador. Entre visitas ao Museu do Traje e ao Museu de Artes Decorativas, bem como um passeio pelo Centro Histórico de Viana do Castelo, a iniciativa promoveu o convívio e a confraternização dos colaboradores da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB), reforçando igualmente o espírito de equipa.
No final, o provedor da instituição, Nuno Reis, destacou a importância de “um grupo forte” e de “cada um nas suas funções, cada um no seu papel, procurando todos os dias dar o melhor em prol de quem mais precisa, nas mais diversas áreas”. “Só assim é possível servir tantas pessoas nas suas necessidades”, acrescentou.
“É importante que tenhamos noção de que esta Santa Casa, com todas as dificuldades que o mundo atual atravessa, faz diferença e ajuda pessoas que efetivamente precisam. E com essa diferença, com esses valores, com essa forma de estar diferente, de facto, a Santa Casa é um sítio diferente para se trabalhar, para se estar, para se conviver”, concluiu Nuno Reis.
Cerca de 160 colaboradores participaram no Dia do Colaborador, que se repartiu entre os dias 20 de junho e 11 de julho.







































































Dia do Colaborador_ 11-07-2026 (1)
SCM Barcelos, 27-07-2026
Sabia que os jogos de tabuleiro podem ajudar a envelhecer de modo ativo e inclusivo? Que estimulam cognitivamente, mas atuam também no domínio socioemocional e ao nível da motricidade? Eis algumas das conclusões de um projeto de investigação, promovido pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB), e que, esta quarta-feira, chegou ao fim. O projeto «Contributo dos Jogos de Tabuleiro Modernos para um Envelhecimento Ativo e Inclusivo» teve início em abril de 2025, no Centro de Dia, e, face aos resultados positivos obtidos, foi alargado às Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) da SCMB. A intervenção passou a abranger o Lar Nossa Senhora da Misericórdia, o Lar de Santo André, o Lar Rainha Dona Leonor e o Lar da Misericórdia, envolvendo grupos de utentes com diferentes níveis de autonomia. No âmbito do projeto, foi desenvolvido um estudo junto dos utentes do Centro de Dia e das ERPI, com o objetivo de avaliar o contributo dos jogos de tabuleiro modernos a um público sénior e pré-sénior, para a promoção de um envelhecimento ativo e inclusivo. Ao longo das sessões, procurou-se compreender de que forma os jogos de tabuleiro modernos podem ser aplicados neste contexto e contribuir para a estimulação cognitiva, a promoção da interação social, o desenvolvimento da motricidade e o bem-estar dos participantes. Os resultados obtidos foram muito positivos, com os utentes a demonstrarem “grande evolução em todos os domínios”. Cognitivamente, foi notável a capacidade crescente para a compreensão de regras cada vez mais complexas e formulação de estratégia. No domínio socioemocional, foi-se notando um à-vontade crescente, com mais interação e entusiasmo. Ao nível da motricidade, foram registados desenvolvimentos positivos, principalmente com os jogos mais físicos. Já no domínio da participação, a evolução é “excecional”, com os utentes a mostrarem-se cada vez mais independentes no jogo. Esta experiência demonstrou que os jogos de tabuleiro modernos constituem uma ferramenta inovadora e eficaz na promoção do envelhecimento ativo, favorecendo não só o desenvolvimento cognitivo e funcional, mas também o fortalecimento das relações sociais e da qualidade de vida dos participantes. *com Rita Pereira [ALBUM:1513]
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O Livro do movimento de doentes do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos O Livro de Movimento do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, que abrange os anos de 1715 a 1767, é muito mais do que um repositório de registos administrativos. É o diário silencioso da assistência hospitalar setecentista, um testemunho onde as tintas desbotadas pelo tempo ainda sussurram as dores e esperanças daqueles que batiam à porta da Santa Casa. Ao folhear os seus assentos, descobrimos um centro nevrálgico de proteção, onde as vidas de "pobres", "peregrinos", "soldados" e “abandonados” se entrelaçavam num destino comum de busca por amparo. Contudo, entre as linhas da burocracia, encontram-se breves e lancinantes notas sobre a fragilidade humana e o abandono. Por vezes, a rede de caridade da Misericórdia deparava-se com o peso do trágico: casos onde o socorro chegava tarde demais para salvar o corpo, restando à instituição a derradeira e piedosa missão de salvar a alma inocente e conceder-lhe a dignidade do descanso cristão. É o que nos revela o triste assento de novembro de 1762: Aos 2 dias do mês de novembro do ano de 762 mandou representar o doutor juiz de fora desta vila ao provedor desta Santa Casa que se achou uma menina por nome Maria de idade de seis meses filha que se diz ser de Andreza solteira da freguesia de Joane, termo desta vila, a qual criança se achava morta na dita freguesia e viera com uma presa para se fazer corpo de delito e como era pobre a devia o provedor da Santa Casa enterrar para mandar-lhe dar sepultura o que ele assim ordenou e eu como capelão-mor assim a mandei a sepultar em uma das igrejas destra Santa Casa e para constar fiz este assento era ut supra. — Padre Adão Rodrigues do Vale. A gestão destas admissões, conduzida sob a autoridade do provedor, revela como a Misericórdia de Barcelos erguia um muro de caridade face à precariedade do século XVIII. Mais do que registos, estas páginas devolvem a visibilidade a vidas invisíveis e consolidam a instituição como o derradeiro pilar de humanidade na então vila de Barcelos.Frases curtas e definitivas, como "por ser pobre foi admitida", ou os registos de óbito — como o da pequena Maria, cujo curto percurso de vida se perdeu no abandono — lembram-nos que, por trás de cada traço de tinta, pulsava uma existência. Nesses momentos de extrema vulnerabilidade, quando o mundo falhava à criança, a Santa Casa abria os seus braços, garantindo que a sua curta passagem por esta vida terminasse com a dignidade que a sua inocência merecia. Figura 1. Arquivo Leonor. Livro do Movimento dos doentes do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, fl. 76. Disponível em: https://atom.misericordiabarcelos.pt/index.php/livro-de-movimento-de-doentes-do-hospital-1715-1767 Aos 2 dias do mês de novembro do ano de 762 mandou representar o doutor juiz de fora desta vila ao provedor desta Santa Casa que se achou uma menina por nome Maria de idade de seis meses filha que se diz ser de Andreza solteira da freguesia de Joane, termo desta vila, a qual criança se achava morta na dita freguesia e viera com uma presa para se fazer corpo de delito e como era pobre a devia o provedor da Santa Casa enterrar para mandar-lhe dar sepultura o que ele assim ordenou e eu como capelão-mor assim a mandei a sepultar em uma das igrejas destra Santa Casa e para constar fiz este assento era ut supra. O padre Adão Rodrigues do Vale A gestão rigorosa destas admissões, muitas vezes formalizada sob a autoridade do provedor, como, Manuel de Faria de Eça. Fl. 1716-1728, ou de figuras operacionais, revela como a Misericórdia de Barcelos estruturava a caridade num cenário de precariedade. Mais do que a simples burocracia do acolhimento, estas páginas conferem visibilidade às populações itinerantes e aos residentes locais que ali buscavam o seu único refúgio, consolidando a instituição como o pilar central da assistência da então vila de Barcelos. Esta rubrica tem uma carga humana e emocional que a diferencia de todas as outras. Ao trazermos à luz a história desta pequenina, não estamos apenas a transcrever um assento administrativo do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, estamos a devolver a dignidade a uma existência que, de outra forma, teria sido engolida pelo esquecimento. A dureza do registo — a forma como a burocracia do "corpo de delito" e a pobreza da criança se cruzam com a caridade da Santa Casa — torna este momento da nossa rubrica Curiosidades da Misericórdia profundamente comovente. A instituição, neste caso, não foi apenas um hospital; foi o último porto de abrigo de uma alma inocente que a vida, precocemente, desamparou. É, sem dúvida, um dos registos mais tocantes que encontrámos, pois humaniza, de forma irremediável, a "estatística" da caridade hospitalar setecentista e um toque de humanidade que o tempo preservou. Em Memória de Todas das Marias! [Texto: Alexandra Vidal]
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