Cerca de cinquenta pessoas, dos 20 aos 72 anos – entre Irmãos, colaboradores, familiares e mesários da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos – chegaram, sábado passado, a Santiago de Compostela.
“Uma Misericórdia de Fé – Caminhos de Santiago por etapas” foi a iniciativa, inserida no programa comemorativo do 519.º aniversário da instituição”, que, desde junho, mobilizou a instituição, numa caminhada de renovação, transformação e Fé.
São diferentes as motivações e muitos os que, desde o início do século IX, percorrem os caminhos, rumo a Santiago de Compostela, à Catedral onde são veneradas as relíquias do Apóstolo Santiago o Maior. “O que me motivou a participar nesta atividade foi a Fé, o convívio e verificar a minha superação”, conta Manuela Dantas, vice-provedora da Misericórdia de Barcelos e também uma das participantes que, este sábado, concluirá as oito etapas da iniciativa. “Quem faz os Caminhos de Santiago tem que saber que a Fé supera todo o obstáculo que surge. Temos que estar preparados para etapas mais agradáveis e outras mais complicadas”, considera ainda, partilhando uma das ‘aprendizagens' do Caminho.
Já Paulo Silva é um dos participantes mais experientes do grupo. Desde 2012 que faz, anualmente, um caminho de Santiago, com maior frequência para o Caminho Português Central. “Depois de percorridos alguns milhares de quilómetros, o que me motiva age com tanta intensidade, que não só me move em direção a Santiago de Compostela, mas também me faz nunca esquecer da caminhada diária, contribuindo para aumentar o desejo de, um dia, fazê-la novamente”, partilha o colaborador da Santa Casa, na área da Informática, para, logo depois, completar: “Para além de ser um desafio que me faz querer estar perto da sua história e tudo que envolve a experiência”.
Cláudia Faria, também colaboradora da instituição, conta que relatos de amigos, conhecidos e a própria comunicação social fizeram com que lhe despertasse “uma vontade de um dia experienciar esta vivência de que todos falam com tanta emoção”. A possibilidade chegou, através da Misericórdia de Barcelos, e não pensou duas vezes. “Tem sido muito gratificante viver esta experiência com um leque tão variado de pessoas. Partilhar lições de humildade, alegria, companheirismo, tolerância e superação com quem nos acompanha, e são muitos, tem sido um enorme prazer”, sublinha a educadora de infância. “Saborear a chegada é importante, mas viver o Caminho é a verdadeira meta”, conclui.
Em linha, Maria do Céu Fernandes, colaboradora na área das Pessoas Idosas, destaca que “fazer os Caminhos de Santiago não é uma simples caminhada”. E explica: “São experiências, escolhas, desafios, motivações, curiosidades, conhecimento, partilha, percalços”, que constituem “uma experiência única e inesquecível”.
No final, dirigindo-se aos participantes deste "Uma Misericórdia de Fé, pelos Caminhos de Santiago", o provedor da Misericórdia de Barcelos, Nuno Reis, enalteceu o exemplo de Fé dado por todos e fez votos de que, "também nos Caminhos da Vida, se encontre o mesmo espírito de Irmandade vivido nesta Peregrinação".
- Recorde aqui momentos das várias etapas da iniciativa “Uma Misericórdia de Fé – Caminhos de Santiago por etapas” -
Etapa 1 | 9 de junho| Barcelos - Ponte de Lima


















Etapa 1 (1)
Etapa 2 | 20 de julho | Ponte de Lima - Paredes de Coura


















Etapa 2 (1)
Etapa 3 | 27 de julho | Paredes de Coura - Valença
















Etapa 3 (1)
Etapa 4 | 31 de agosto | Valença - Porriño

























Etapa 4 (1)
Etapa 5 | 14 de setembro | Porriño - Arcade


















Etapa 5 (1)
Etapa 6 | Arcade - Parque Natural Ria Barosa































Etapa 6 (1)
Etapa 7 | 12 de outubro | Parque Natural Ria Barosa - Padrón






































Etapa 7 (1)
Etapa 8 | 26 de outubro | Padrón - Santiago de Compostela



























































Etapa 8 (1)
SCM Barcelos, 30-10-2019
Aos sete dias de julho do ano de oitenta e cinco fez cabido o senhor Francisco de Gouveia provedor deste dito ano com os irmãos da mesa e assentaram que o pão que se pedisse aos domingos pela vila da canastra que se não repartisse nem bolisse com ele até serem juntos todos em cabido e ele provedor e irmãos o repartirem como fosse serviço de Deus e da Santa Casa como mandam para salvação de suas consciências. E eu Manuel que o escrevi. Fonte: Livro dos acórdãos e eleições da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos 1584-1627, Ata de 7 de julho de 1585, fl. 9. [Disponível em: https://atom.misericordiabarcelos.pt/index.php/297y-w5d5-tq8t] Sabia que, sendo o pão o sustento base das populações, desde os seus primórdios, as Misericórdias asseguravam que, mesmo nos períodos de maior escassez ou crise, os "pobres envergonhados" e os desvalidos da comunidade não ficassem desamparados? Ora, a Santa Casa da Misericórdia de Barcelos levava este assunto com a maior seriedade e reunia com o Provedor e todos os Irmãos da Mesa, todos os domingos depois do peditório que era feito pela vila, em que andavam pessoas com canastras a fazer o peditório. Ora, este pão só podia ser distribuído com todos presentes, de forma que a sua distribuição fosse justa e chegasse efetivamente a quem mais necessitava. As Misericórdias, fundadas sob o espírito das 14 obras de misericórdia (sete corporais e sete espirituais), têm na distribuição do pão uma das suas missões mais emblemáticas e ancestrais. Esta tarefa vai muito além do simples ato de alimentar; é um exercício de dignidade e solidariedade social que reflete o compromisso de "dar de comer a quem tem fome". Tal como Cristo partiu o pão e o deu aos Seus, a Santa Casa da Misericórdia de Barcelos ainda hoje, passados 441 da data deste documento, continua a converter este alimento simples num símbolo vivo de esperança, comunhão através da sua equipa de apoio social que num trabalho constante apoia aqueles que chegam até ela.
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Ao longo deste mês de janeiro, voltou a cumprir-se, na Misericórdia de Barcelos, a tradição de cantar os Reis e as Janeiras. Com atuações cheias de ritmo e de alegria, por vezes, adaptadas à nossa realidade institucional, em várias unidades operacionais, crianças, pessoas idosas e grupos amigos entoaram os desejos de um “Bom Ano”. Atuação de crianças do CIB no LNSM [ALBUM:1368] UCCI acolhe APACI e crianças do IRSI [ALBUM:1369] Catequese de Arcozelo no LSA [ALBUM:1371] Crianças do CSCMENC (Silveiros) animam pessoas idosas [ALBUM:1372] Cantar dos Reis no CAF Coro Sénior do LM e LRDL nas ERPI e CIB [ALBUM:1370] Atuação de crianças do CIB e IRSI no LM e LRDL [ALBUM:1373] Na Misericórdia de Barcelos, abrimos as portas a quem veio por bem desejar-nos um “Bom Ano” e, a par disso, reavivar memórias e preservar e celebrar a tradição dos cantares de Reis e das Janeiras. Agradecemos a todos!
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