DATAS COMEMORATIVAS ASSINALADAS NA SCMB
Maio foi mês de comemoração de várias datas significativas para a Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB). O Lar de Santo André completou, a 19 de maio, 20 anos ao serviço das pessoas idosas; o Lar Nossa Senhora da Misericórdia comemorou o 32.º aniversário; e foi realizada uma eucaristia de ação de graças pelos 523 anos da Santa Casa de Barcelos.
Mas houve mais! Logo no dia 5, a Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) de Santo António assinalou o Dia Mundial da Higiene das Mãos, sensibilizando para a lavagem das mãos como uma importante medida de prevenção da transmissão de infeções.






























Dia Mundial da Higiene das Mãos_UCCI_01
Ainda na área da Saúde, na UCCI, foi assinalado o Dia do Enfermeiro, com a oferta de uma lembrança simbólica, como forma de destacar e reconhecer a importância destes profissionais na prestação de cuidados às pessoas doentes.




Dia do Enfermeiro_UCCI_01
CELEBRAR A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA
Por iniciativa da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, celebra-se, anualmente, a 15 de maio, o Dia Internacional da Família.
Para assinalar a data, a Misericórdia de Barcelos promoveu a iniciativa “Caminhar em Família”, a 21 de maio. Mas, antes disso, já durante a semana, as crianças que frequentam as unidades operacionais da SCMB foram realizando trabalhos e atividades alusivos à data.



















Dia da Família'22_ CAF_01
UTENTES DAS ERPI VIVEM, COM DEVOÇÃO, O MÊS DE MARIA
À semelhança do que aconteceu em anos anteriores, Maio, mês de Maria, foi vivido com devoção e Fé, pelos utentes que vivem nas estruturas residenciais para pessoas idosas.
Ao longo do mês, foram vários os momentos de oração e introspeção.
















Celebração Mês de Maria'22_ CSCMENC_01
Já na UCCI, foi criado e exposto um terço de grandes dimensões, para comemorar o 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima.

Por fim, deixamos registo fotográfico de algumas atividades realizadas no Lar de Santo André, com os utentes a aproveitarem o bom tempo e o espaço exterior e ainda momentos de bem-estar e diversão com um simpático animal de estimação - o cão, concretamente, o Kiko.



Atividades_LSA_01
SCM Barcelos, 09-06-2022
A Santa Casa da Misericórdia de Barcelos abre as portas do seu Arquivo Histórico para revelar a beleza dos missais que, ao longo dos séculos, guiaram a oração e a fé da nossa comunidade. No coração do tempo pascal, inauguramos uma exposição única dedicada ao Missal — o livro que, durante séculos, foi o guia central da celebração eucarística. Visitar esta mostra durante a Quaresma é mais do que um percurso cultural: é um convite à reflexão. No silêncio das páginas expostas, ecoam as vozes e a esperança de todos aqueles que, antes de nós, celebraram a Paixão e a Ressurreição de Cristo. "O missal não é apenas o livro do altar; é o registo da esperança de um povo que encontra na Páscoa o seu sentido mais profundo." O que pode esperar desta visita? Esta mostra é um encontro entre arte e espiritualidade, reunindo exemplares que sobreviveram ao tempo e guardam em si séculos de devoção. Abrangendo peças datadas de 1751 a 1956, a exposição celebra a riqueza artística e a importância histórica destes livros sagrados — e reafirma o compromisso da Misericórdia com a preservação da identidade cultural e religiosa da região. Nesta época de renovação e recolhimento que a Quaresma e a Páscoa nos propõem, convidamo-lo a uma viagem no tempo. Aqui, os missais não são apenas livros: são testemunhas silenciosas de séculos de fé, arte e tradição. Venha descobrir os tesouros que guardam a nossa memória no Arquivo Leonor e deixe que a beleza destes objetos ilumine o seu caminho pascal. Venha descobrir os tesouros que guardam a nossa memória no Arquivo Leonor e deixe que a beleza destes objetos ilumine o seu caminho pascal. Local: Arquivo Leonor da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos. Entrada: Livre. Experiência: Um encontro com a História, a Arte e a Espiritualidade.
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Na Idade Média, ser diagnosticado com lepra era um "bilhete de ida sem volta" para o isolamento. Em Barcelos, esse destino tinha um nome: a Gafaria de Santo André. Mas engana-se quem pensa que era um lugar de tristeza absoluta. A Gafaria de Barcelos é um marco fundamental na história da assistência social e da saúde pública medieval em Portugal. Estes locais eram estabelecimentos destinados ao isolamento e tratamento de doentes com lepra (gafos), uma patologia que, na Idade Média, carregava um pesado estigma religioso e social. A criação de gafarias fora das muralhas das cidades era uma prática comum para garantir o isolamento profilático, protegendo a população sã. Situada fora da cidade, junto ao Rio Cávado, no lugar da Ordem, que ficava na estrada que ia da Fonte de Baixo para o Casal de Nil ou do Nique, junto à Ermida de Santo André. Uma localização estratégica por estar afastada do núcleo urbano principal, mas próxima o suficiente para receber esmolas e apoio da comunidade. A Gafaria de Barcelos ganhou especial relevância sob o patrocínio da Casa de Bragança. D. Afonso, o 1.º Duque de Bragança e 8.º Conde de Barcelos (1377–1461), demonstrou particular interesse na assistência aos desvalidos. Mas como era a vida dentro de uma gafaria? A vida dentro da gafaria era regida por normas rigorosas. Tinham uma organização interna própria, muitas vezes com um "procurador" ou "juiz dos gafos" que geria os seus bens. Apesar do isolamento, os leprosos não estavam totalmente inativos. Muitas vezes, eles próprios geriam os bens da gafaria, realizavam compras e vendas, e cultivavam terras para a sua subsistência, tudo dentro do perímetro desta. O complexo era composto por pequenas habitações para os doentes e uma capela central. O padroeiro, Santo André, era frequentemente invocado nestas instituições. Estabelecida fora das muralhas para evitar o contágio, mas próxima de vias de passagem (como o Caminho de Santiago) para facilitar a recolha de esmolas, que eram a principal fonte de sustento. A distribuição geográfica das terras da gafaria abrangia 35 freguesias diferentes, que se distribuíam num raio de 20 a 30 quilómetros. Em 1464, segundo os Tombos da Gafaria[1] aparece-nos o nome dos gafos que moravam na gafaria. Eram apenas dois, o que confirma o facto de a lepra estar em recessão: João Afonso e Martim Lourenço. A 12 de maio de 1520, através de um Alvará régio do rei D. Manuel I, a ordenar, aos juízes, vereadores, procurador e homens bons de Barcelos, a união do hospital e gafaria à Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, cuja administração passaria a estar sob jurisdição dos oficiais da Misericórdia. A passagem da gestão para a Misericórdia de Barcelos em 1520 marcou o início de um controlo mais rigoroso e de uma assistência mais próxima. Documentos raros mostram-nos casos reais, como o de Pedro Gil, cuja família foi vítima da doença, restando apenas uma filha órfã que a Misericórdia se comprometeu a alimentar. Mas em 1593, através da leitura do livro dos acórdãos e eleições da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (1584-1627]), no fl. 61v temos notícia de uma herança de uma família de leprosos pela Mesa da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, vejamos: Consegue ler o que diz aqui? Este documento com mais de 400 anos conta a história de uma família de Barcelos... Figura 1 - Termo da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos sobre a herança de uma mulher e seus filhos que morreram na gafaria (1593). Fonte: Arquivo Leonor, Livro dos acórdãos e eleições da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos 1584-1627, fl. 61v. disponível em https://atom.misericordiabarcelos.pt/index.php/297y-w5d5-tq8t Nós ajudamos, estamos aqui para isso: (…) Vendeu-se nesta casa uma certa herança que havia da freguesia de Santo André de Palme da segunda mulher e filhos de Pedro Gil, a qual mulher e um seu filho Gonçalo morreram na gafaria e ficou uma filha que já está enferma e se vendeu juntamente a herança de todos três por seis mil e duzentos reis e fica esta casa obrigada a pagar cada um ano à dita moça órfã um quarto de pão ou o que se achar pelo inventário (…). Com o passar dos séculos, o declínio da lepra levou à transformação destas estruturas. Em Barcelos, tal como noutras localidades, o património da gafaria foi progressivamente integrado noutras instituições de caridade ou hospitais da Misericórdia, perdendo a sua função original de leprosaria mas mantendo o seu legado de assistência aos pobres. [1] A publicar ainda este ano pela Santa Casa da Misericórdia de Barcelos. (Autoria: Alexandra Vidal)
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